Em muitas empresas que atuam no mercado livre de energia, a gestão dos contratos de compra e venda e das operações na CCEE ainda está apoiada em uma base frágil: planilhas, macros e arquivos dispersos. Esse tipo de solução até funciona quando o portfólio é pequeno, com poucos contratos e poucas unidades consumidoras. Mas, à medida que a carteira cresce, a complexidade explode: diferentes fornecedores, prazos, indexadores (IPCA, IGP-M, moedas), produtos sazonais, flexibilidade, opções de modulação, além de toda a lógica de registro, medição e contabilização na CCEE. Nesse cenário, planilhas deixam de ser apoio e passam a ser fonte de risco operacional e financeiro.
A falta de integração entre dados de contratos, medições, faturas e resultados de contabilização é um dos maiores problemas. É comum ver times de energia e de backoffice trabalhando com sistemas desconectados: de um lado, contratos armazenados em pastas de rede ou PDFs; de outro, medições da CCEE; em outro ponto, o ERP com informações financeiras; e, amarrando tudo isso, inúmeras planilhas para tentar conciliar posições. Sem uma base única e estruturada, é difícil responder com segurança perguntas básicas: qual é a nossa posição contratada por período? Qual a exposição ao PLD? O que foi contabilizado bate com o que está sendo faturado e recebido?
Para reduzir essa dependência de controles manuais, a centralização dos dados contratuais e das operações na CCEE em sistemas informatizados escaláveis se torna essencial. Uma plataforma integrada permite registrar todos os contratos de compra e venda de energia em formato estruturado, vincular esses contratos às unidades consumidoras, cruzar automaticamente medições com volumes contratados, calcular sobras e déficits, e comparar o resultado da contabilização da CCEE com o faturamento entre as partes. Com isso, o time passa a trabalhar com uma única “fonte da verdade”, reduzindo erros, retrabalhos e divergências internas.
Além disso, sistemas escaláveis são fundamentais para acompanhar a evolução do mercado, como a expansão do varejo de energia, a abertura para baixa tensão e o aumento do número de contrapartes e produtos (energia incentivada, convencional, estruturas com opções, contratos por perfil, etc.). O que hoje é um portfólio com algumas dezenas de contratos pode tornar-se rapidamente uma carteira com centenas de contratos e milhares de pontos de consumo. Nesse contexto, planilhas e macros não conseguem acompanhar o volume de registros, alterações contratuais, sazonalizações, reprecificações e ajustes exigidos pela CCEE em ciclos mensais e semanais.
Por fim, integrar a gestão de contratos com as operações na CCEE em uma plataforma tecnológica robusta fortalece não só a eficiência operacional, mas também a governança e a transparência do negócio. Indicadores em tempo real de posição contratada, exposição, resultado por contrato e por cliente, histórico completo de registros e ajustes na CCEE e trilhas de auditoria tornam a gestão mais profissional e preparada para auditorias internas, exigências regulatórias e cobranças de conselhos e investidores. Em um mercado de energia cada vez mais dinâmico, regulado e orientado por dados, continuar gerindo contratos e operações na CCEE com planilhas e controles caseiros significa abrir mão de competitividade e correr riscos desnecessários.