E se o problema não for falta de rede, mas falta de inteligência?

Uma das discussões tecnológicas mais relevantes do momento é o uso de ferramentas capazes de ampliar a capacidade da rede sem construir novas linhas. Em um contexto de crescimento da demanda e os tempos típicos necessários para expansão da infraestrutura, ganha força o uso de soluções digitais que permitem operar melhor os ativos já instalados. Esse movimento vem sendo tratado como uma alternativa para permitir o uso de toda a capacidade disponível nos sistemas existentes, mantendo as condições de segurança usuais.

Entre essas soluções estão sistemas que recalculam de forma dinâmica a capacidade de transporte das linhas, tecnologias que controlam o fluxo de potência de maneira mais sofisticada e arranjos digitais que coordenam baterias e cargas distribuídas como se fossem uma única usina. O aspecto central aqui é que a inteligência do sistema passa a valer tanto quanto os equipamentos que compõem as redes. Em vez de ampliar a rede apenas por expansão física, a proposta é extrair mais desempenho da infraestrutura existente com software, sensores e controle avançado.

A dimensão do tema ajuda a explicar por que ele ganhou tanta atenção. Nos Estados Unidos, foram construídos apenas 888 milhas de linhas de transmissão em 2024, abaixo das 5.000 milhas por ano consideradas necessárias até 2035. A estimativa é que essas tecnologias possam liberar mais de 80 gigawatts de capacidade de ponta ao aliviar congestionamentos e melhorar o uso da rede.

A modernização da rede está começando a ser tratada como problema de engenharia digital, tratamento de dados e automação. Em mercados pressionados por novas cargas, eletrificação e maior participação de renováveis, esse tipo de tecnologia tende a ser cada vez mais essencial para a operação e otimização do uso das redes elétricas.

Leia mais detalhes no link: US utilities scale up grid-boosting tech to meet surging demand | Reuters