Nos contratos de fornecimento de energia no mercado livre, uma das flexibilidades negociadas é a “Modulação”. É ela que define como que o volume mensal contratado será registrado a cada hora do mês nos sistemas da CCEE. Essa distribuição determina quanto de energia estará disponível em cada intervalo de contabilização para cobertura do consumo da empresa.
Mesmo quando o volume total do consumo mensal está integralmente coberto, podem existir diferenças horárias relevantes. Em algumas horas, a empresa poderá apresentar sobra contratual; em outras, poderá consumir mais energia do que o volume registrado. Essas diferenças são “compradas” e “vendidas” na liquidação financeira da CCEE com base no PLD horário. Essa conta pode gerar resultados financeiros positivos ou negativos, dependendo dessa diferença de consumo horário e registro horário da energia recebida.
A análise da forma que a energia é registrada é trabalhos porque envolve os dados registrados em cada hora do mês. Por exemplo, num mês de 30 dias serão 720 registros (30 dias x 24 horas por dia) de medições de consumo e outros 720 da energia fornecida. Com base nesses valores deve ser feito, para cada hora um balanço de sobras e déficits e valorar ao valor do PLD horário publicado pela CCEE. Quando essa avaliação é feita em planilhas, aumenta o trabalho operacional e os riscos de erros.
Uma plataforma digital permite importar as medições, reconstruir a curva horária do registro do contrato e comparar automaticamente recurso e requisito. O sistema também pode identificar horas com exposição, calcular o impacto financeiro e emitir alertas quando o perfil registrado se afasta dos parâmetros negociados.
A tecnologia transforma a modulação de uma cláusula pouco compreendida em um indicador gerencial. Com dados estruturados, o consumidor passa a acompanhar não apenas quanto contratou, mas como a energia foi distribuída e qual foi o efeito efetivo dessa distribuição sobre o custo mensal.